quarta-feira, novembro 17, 2010

A Morte de Nena

Nena - uma estrela colorada que se apaga na Terra para brilhar no Firmamento


Olavo Rodrigues Barbosa, o Nena, nasceu em 11 de junho de 1923, em Porto Alegre. Como muitos garotos de sua idade, passava o tempo jogando futebol nos campos de várzea da cidade. Aos poucos, foi desenvolvendo um futebol de força e ao mesmo tempo técnico. Morador de Petrópolis, disputava o campeonato de várzea do bairro pelo Paraná. Certo dia, no final de março de 1942, o recém-contratado Ricardo Díez, técnico uruguaio do Internacional, decidiu observar uma partida da várzea, em busca de novos valores. E ficou surpreso com a qualidade daquele “negrito fuerte”, convidando-o para treinar nos Eucaliptos. No dia 2 de abril Nena realizava seu primeiro treino com a camisa rubra, e no dia 7 de abril estreava em um amistoso contra o Cruzeiro, na inauguração do sistema de iluminação do estádio da Montanha. O Colorado venceu por 2x1, e Nena aprovou. Doze dias depois, disputava seu primeiro Gre-Nal, já pelo campeonato municipal.

A temporada de 1942 foi mágica, pois foi a única que o time tradicional do Rolo Compressor atuou junto: Ivo; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Russinho, Villalba, Rui e Carlitos. Neste ano, além do Nena, chegaram Ivo (do São José) e Abigail (Força e Luz), e o reserva da lateral-esquerda, Ávila, recuperado da sífilis, se tornaria um excelente volante. No final da temporada, Russinho abandonaria o futebol.

A disposição de Nena, em campo, o tornava praticamente intransponível, o que lhe rendeu o apelido de “Parada 18”. Na época havia uma propaganda radiofônica da Rainha das Noivas (cuja loja localizava-se na Parada 18), que dizia que para fazer boas compras não se podia passar da parada 18, e como ninguém passava pelo zagueirão...

Também tinha o apelido de "Cabeça de Aço", porque frequentemente as bolas aliviadas por ele da sua área, com cabeçadas, davam origem a perigosos contra-ataques.

No Colorado, Nena acumulou títulos. No embalo do hexacampeonato, o zagueiro foi campeão municipal e estadual em 1942, 1943, 1944 e 1945. Em 1946, venceu o Torneio Extra, mas 1947 seria bem melhor! O Colorado voltou a ganhar o campeonato municipal e o estadual, e Nena foi convocado para a Seleção Brasileira. Sua estréia ocorreu em 29 de março, em um empate em 0x0 com o Uruguai, no Centenário, pela Copa Rio Branco.No ano de 1948, mais uma vez a dobradinha de títulos, municipal e estadual, e outra convocação para a seleção. No final do ano, o título do Torneio da ACEPA. Em 1949, o Internacional não levou o título municipal, nem Nena é convocado para o campeonato sul-americano. A conquista isolada veio no Torneio Dia do Desporto, cuja final foi disputada contra o Nacional.

Em 1950 Nena tem um grande ano: o Colorado venceu o Torneio Extra, o campeonato municipal e o estadual, e Nena foi convocado para disputar a Copa do Mundo. Ao lado de Adãozinho, o zagueiro tornou-se o primeiro colorado a representar o Brasil em um Mundial (antes, em 1934, o RS foi representado por Luiz Luz, zagueiro do Americano). O zagueiro chegou a disputar três partidas da fase de preparação, mas no Mundial a zaga titular foi formada por Augusto (Vasco) e Juvenal (Flamengo).Vem o ano de 1951: novamente Nena é o titular da zaga colorada, pela décima temporada. Em setembro de 1951, com o campeonato municipal em andamento, o zagueiro recebeu uma proposta tentadora da Portuguesa. O Internacional também demonstrou interesse pela proposta, e convenceu o atleta a aceitá-la.

Sete de setembro de 1951: em um amistoso na Timbaúva, Nena se despede do Colorado, com uma vitória de 2x1 sobre o Floriano. Foram 313 partidas com o manto rubro. No mesmo jogo, despediu-se o lendário Carlitos, que abandonava o futebol.

Na Portuguesa, Nena faria história, participando do maior time da Lusa de todos os tempos. Se não conseguiu ganhar nenhum título estadual, Nena ajudou a Portuguesa a sagrar-se campeã do Torneio Rio-São Paulo (na época, muito valorizado) em duas ocasiões: 1952 e 1955: até hoje, estes são os títulos mais importantes da Lusa. Em 1958, aos 35 anos, Nena decidiu encerrar a carreira de jogador, mas manteve-se radicado em São Paulo, onde chegou a trabalhar como técnico de categorias de base.

Esquecido por muitos anos, foi redescoberto pelo colorado Pedro Luiz Laus Simas, no 2º semestre de 2008. Estava com 85 anos, vivendo em Goiânia. Esta descoberta permitiu que o grande zagueiro, que várias vezes foi eleito para seleções de maiores da história do clube, recebesse várias homenagens em vida.

Mas, infelizmente, hoje o grande zagueiro faleceu, em Goiânia, vítima de um câncer de pulmão. Era o último remanescente da escalação clássica do Rolo Compressor.
Títulos de Nena:
Pelo Internacional
campeão gaúcho em 1942/43/44/45, 1947/48 e 1950
campeão municipal em 1942/43/44/45, 1947/48 e 1950/51
campeão do Torneio Extra em 1946 e 1950
campeão do Torneio ACEPA em 1948
campeão do Torneio Dia do Desporto em 1949
Pela Portuguesa
Campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1952 e 1955
Pela Seleção Brasileiracampeão da Copa Rio Branco em 1947
campeão da Taça Osvaldo Cruz em 1950