sábado, dezembro 25, 2010

Uma ambulância no meio do caminho...

... e o flerte com a tragédia

Grandes tragédias ocorridas em estádios de futebol começam com problemas de circulação e portões fechados, algo que acontece com freqüência no Beira-Rio. Somos salvos pela sorte.
Na saída da exibição do filme "Absoluto" no Beira-Rio, dia 07 de Dezembro, os milhares de torcedores que estavam na Arquibancada Superior passaram por uma situação absolutamente desnecessária. Aquele setor tem problemas conhecidos de evacuação em dias de grande público. Com grande freqüência formam-se grandes filas e o corredor fica abarrotado na saída dos jogos. Em um caso simples de emergência ou tumulto, pessoas podem ferirem-se gravemente.
Eis que na saída do filme, os responsáveis pelo estádio não apenas deixaram de tomar providências para evitar o problema (o que já é grave), como ainda permitiram que uma ambulância estivesse na rampa, interrompendo o fluxo de pessoas.
O que pode ser visto no vídeo abaixo.
Apenas lembrando das tragédias mais fomosas:
Em 1968, 71 pessoas morreram no Monumental de Nuñes, episódio que ficou conhecido como "Puerta 12". Há um documentário a respeito (www.puerta12.com).
Em 1985, foram 39 mortes no Heyzel Stadion, de Bruxelas.
Em 1989, 96 mortos em Hillsboroug.
Já escrevi sobre essas tragédias e sempre recomendo a leitura pois foram fundamentais para a mudança e modernização do futebol inglês nos anos 90 (leia aqui).
Tal problema é recorrente no Beira-Rio. Há um estranho fetiche por objetos exóticos para orientação de público. Além do arame-farpado, também grades e cadeados.
Circulação e orientação do público é fundamental em um estádio moderno. Enquanto isso, seguimos acompanhando aflitos à modernização do Beira-Rio por quem não tem a menor noção de questões simples, básicas e óbvias de gestão para um estádio minimamente seguro e confortável.