terça-feira, maio 03, 2011

Amarelo por quê, juiz?

O texto será um tanto longo, me perdoem, mas vale a pena, por ser o primeiro. É um texto para que me conheçam melhor. Nos próximos, prometo ser mais sensível à falta de tempo de todos vocês, com textos mais curtos.


Gosto de futebol desde que me entendo por gente, o que coincide mais ou menos com a época em que comecei a torcer pelo Inter. É isso mesmo, não nasci colorado. Ou melhor, decerto nasci, mas só descobri depois, nove anos depois, nas finais de 1987, entre Inter e Flamengo. Minha memória de “longo prazo” nunca foi das melhores, portanto ali por volta dos 7 anos em diante é que comecei a me entender por gente. Tenho alguns “flashs” de idades mais tenras, mas só isso. O primeiro episódio forte que me lembro é o falecimento de meu pai, quando eu tinha 7 anos. O segundo mais forte na minha lembrança são as finais do brasileirão de 1987. Sou de Goiânia e, como podem imaginar, eu não conhecia ninguém que torcesse pelo Inter. Pior: quase todo mundo que eu conhecia e que se interessava por futebol torcia pro Flamengo (aquela coisa de sempre, Globo, Fla-Flu quase todo fim de semana na TV, falta de times grandes locais etc.).

Pois bem, eu bati o olho na TV e sentenciei: vou torcer por esse time de vermelho. Foi aí que começou minha história com o Inter e muito bem, eu diria, apesar da derrota naquele ano e no seguinte (essa sim, frustrante), para o Bahia de Bobô. Mas não importava. Eu gostava daquelas cores, daquele clube e nós tínhamos Tafarel! Meu grande ídolo inicial. Em 1989 me mudei para um condomínio que tinha quadras poli-esportivas. Daí, junto com meu envolvimento cada vez maior com o futebol (jogava praticamente todos os dias e a turma do prédio organizava quase mensalmente um campeonato de times), veio a década difícil de 1990, praticamente tendo apenas o título da Copa do Brasil como título relevante. Minha relação com o Inter era portanto bem mais distante que hoje, tanto pelos poucos títulos, quanto pela quase impossibilidade de ver meu time ao vivo. Mas eu adoro futebol e gostava muito de jogar, principalmente o de salão. Aliás, gostava também de outros esportes, como basquete, vôlei, peteca, entre outros. Mas o futebol era o mais divertido e tive a sorte de conviver com uma geração de amigos que também adorava.

Sempre preferi atuar no meio. Gostava de organizar o time, de ter uma visão geral do jogo. Acredito que era mesmo bom nisso. Sei lá, se for pra comparar, talvez eu me aproximasse dum Tinga, no estilo de jogar. Marcava bem, tinha bastante fôlego, uma boa técnica e inteligência para armar jogadas no ataque e até para concluir bem a gol. Mas minha principal marca era a de não gostar de perder. Não pelo resultado, mas pela forma. Perder jogando o máximo, tudo bem. Mas se eu visse um colega de time fazendo corpo mole ou jogando sem vontade, ah, isso me irritava. Coincidência ou não, na maior parte das vezes os times em que eu jogava acabavam sendo difíceis de vencer ou até ficavam um bom tempo em quadra, vencendo partidas seguidas. Isso no salão, claro, onde uma pessoa pode fazer mais diferença. Quando era campo (society ou campão), aí não tinha muito o que eu fazer, exceto minha parte mesmo. Eu era um pirralho franzino, mas muito brigador! Alguma dúvida da razão de torcer para o Inter? Bem, mas agora vamos à razão do título e, finalmente, à conclusão do texto.

A última época em que joguei mais constantemente foi no primeiro ano de faculdade. Havia um campeonato tradicional entre as turmas de cada ano (eram 5) do curso de Engenharia Elétrica (que não terminei...). Montamos um time e fomos pra disputa. Era futebol society. Não vencemos o campeonato. Nem lembro direito até onde chegamos, na verdade. Mas me lembro dessa frase, que eu disse durante um jogo, ao levar cartão amarelo do juiz. Eu não tinha feito falta nenhuma, aliás, nem tinha tido contato com jogador adversário. Então o juiz respondeu: “Você tá muito nervoso, vai mais devagar”. É que eu tinha acabado de dar uma dura, xingando pela enésima vez um meia-atacante do meu time, pela displicência dele no jogo (perdia várias bolas e não ajudava na marcação). Eu estava louco com o cara e acabei levando amarelo por isso... Talvez eu tivesse exagerado, mas tinha crédito, pois dava tudo de mim (cheguei inclusive a fazer parte da seleção do campeonato).

Bem, com isso, quero dizer apenas que sou exigente. Tenho um olhar que julgo bom para ver do que um time ou jogadores são capazes e consigo olhar bem um jogo. Mas como é por intuição, posso e fatalmente vou errar. Minhas opiniões aqui, sobre nosso time e clube, serão às vezes duras, mas espero que justas. Quando não forem, desçam a lenha à vontade. Tenho muito a aprender aqui com todos vocês e essa troca promete!

ps. Amanhã é Inter na LA e estarei (obrigado AZUL!!!) no Beira Rio pela segunda vez em minha vida, para minha alegria, junto a essa torcida incrível. Tenho certeza que comemorarei a classificação do time, cantarei e apoiarei muito durante o jogo. Críticas, só depois. Ah, alguém sabe o nome dessa figura tradicional da torcida, comigo na foto acima?