segunda-feira, maio 02, 2011

A beleza na tristeza

Não poderia ter sido mais poético: um homem a menos, Damião sentindo o ombro e Oscar fora de campo. As duas mais novas jóias raras do Beira Rio sucumbido ao infortúnio. E o Grêmio empata. E o jogo, até a expulsão, era nosso.

Foi nosso porque assim desejamos, com entrega, devoção, parceria. Foi nosso enquanto estivemos unidos, todos juntos. A disputa foi nossa cancha o tempo todo. Sem fuga ou disfarce estivemos sempre ali, franca e honestamente no jogo. Nada intimida mais o adversário que mostrarmos, antes e durante o embate, nossa firme presença nele.

Portanto, o momento de maior crescimento do rival conseqüentemente não deixaria de ser outro, a perda de um jogador. Em condições iguais de tempo, pressão e temperatura, é realmente muito difícil alguém nos superar. Não porque somos insuperáveis. Não porque nada nos atinge e sim por que no mesmo espírito, nada nos separa. Na difusão de uma única fonte de energia rumo ao vestiário, enfraquecemos. Foi tudo o que conseguiu o inconseqüente Guiñazu. Levou consigo o ombro de Damião e, quem sabe, o que restou do ímpeto de Oscar na partida.

De que adianta força, honra e resistência acima de tudo? Provar o que, pra quem? No meio do olho do furacão a gente reage absolutamente por instinto, o que é normal para qualquer ser humano. No entanto, da mesma forma que o bisturi deve pousar firme na mão do cirurgião, aconteça o que acontecer, o corpo do guerreiro e a cabeça do estrategista devem permanecer intactos diante do impulso na hora ruim. Tudo é ônus e bônus. Tudo é escolha e resposta, causa ou conseqüência, ação e reação. Chamem como bem quiserem. O resultado é fato, Rocky Balboa: mais forte é quem resiste, não necessariamente quem bate.

O jogo segue, o relógio não pára e vamos dando por superado joelhos em carne viva, ao longo do caminho. Pois o curso vai se desenhando na medida em que nos adaptamos. A vitória não há de nos faltar, mesmo que para isso descambe o apito final e estejamos então reunidos no centro do campo, abraçados, para enfim respaldar o tiro certeiro de cada um, com a devida maturidade de campeão.

É com luta, angústia, juntando ou deixando partes do todo pela estrada, que o Inter chega lá. Mais vale o toque de classe por cobertura, que a beleza na tristeza do desfalque prematuro. O Inter (de todos nós) jamais se entrega “pros hômi”. Mas de jeito nenhum!