terça-feira, maio 17, 2011

Essa, Ninguém Tira!

O grenal emblemático que nos deu o quadragésimo título regional mostrou todas as faces do Inter, do apagão à superação. Ora, quem teve o privilégio de assistir ao grenal do século, à vitória sobre o Nacional em Montevideo, na Libertadores de 2006, terminando o jogo com 2 jogadores a menos, ou à épica classificação na fumaça contra o Estudiantes ano passado, sabe que superar desafios tidos como impossíveis é conosco (embora sem o devido reconhecimento pela imprensa local).

Mas eu quero me ater aos diferentes personagens do time atual. Revitalizamos a zaga Campeã da América? Bolívar e Índio serão a dupla defensiva do Brasileirão de 38 rodadas? Inegavelmente, são homens talhados para brilhar com a camisa colorada, especialmente sobre o rival. Mas até quando?

Em contrapartida, Damião e Oscar representam a renovação, mas aquela que já nos deixa ansiosos diante das ameaçadoras especulações de negociação com o futebol europeu. Damião deve, ainda, defender o Brasil na Copa América. Além de nos desfalcar no período, aumentará sua exposição para o mercado estrangeiro.

E Zé Roberto? Jogador do mercado interno que veio pra cá sem muita expectativa por parte da torcida, não chegou a empolgar com Roth e nem mesmo vinha sendo aproveitado por Falcão. Pois entrou no grenal com 0 x 1 e simplesmente acabou com o jogo. Foi o nome da final.

No entanto, quero mesmo é destacar a estrela do maior jogador do futebol gaúcho de todos os tempos: Paulo Roberto Falcão! Ninguém é louco de dizer que ele já é um treinador afirmado. Ele mesmo sabe que só o tempo lhe dará tal condição. Mas é inegável que, a seu modo (diferente de tudo com o que estamos acostumados), ele tem sim sua ascendência sobre o grupo. Ele tem, sim, conhecimentos profundos sobre técnica, tática e vestiário. Ele tem, sim, a capacidade de, discretamente, como sempre lhe foi peculiar, virar um resultado adverso na casa do adversário e sair de cena à francesa, como se nada tivesse acontecido.

Mas acima de tudo, ele tem algo que nenhum outro treinador no Brasil, quiçá do mundo tem: o amor incondicional e a identificação inequívoca como o maior ídolo que seu clube já teve dentro das quatro linhas. O guri que se criou jogando bola nos Eucaliptos, que ajudou a carregar tijolos para o Beira-Rio, que contruiu o time Gigante da década de 70 e foi ser Rei em Roma, onde outros foram bobos da corte!

Falcão terá agora, depois da façanha deste Gauchão, outras três tão ou bem mais difíceis: Brasileirão, Recopa e Copa Audi. Terá de enfrentar desfalques, convocações, jogadores vendidos e em meio a todo um processo de renovação, aguentar as críticas ferrenhas de torcedores imediatistas e cronistas "azulados". Mas Falcão já esteve lá um milhão de vezes. Ele conhece bem esse território.

Aconteça o que acontecer, daqui pra frente, uma coisa é inegável: domingo, Inter e Falcão deixaram mais uma marca na históra do futebol. Tá lá: 3 x 2 nos 90', 5 x 4 nos pênaltis, em pleno Olímpico. 40 vezes Campeão Gaúcho! Essa, ninguém tira!