Tristeza. Absoluta tristeza. Um vazio, como se algo tivesse sido tirado a força, se um sonho tivesse sido estilhaçado.
A dor da derrota pro Penarol nos deixou inúmeras cicatrizes, que custam a sarar. A derrota do Grenal, ao menos pra mim, foi apenas um bónus. Uma piada de mau gosto, assim por dizer.
O Inter hoje é um time em frangalhos. Emocionalmente, tecnicamente e tacticamente.
A defesa, em estado terminal, sofre de falência múltipla em virtude de jogadores em constrangedor declínio.
O esquema tático naufraga, e arrasta consigo jogadores de comprovada qualidade técnica. A maior prova disso é que o melhor jogador é sempre aquele que está no banco de reservas.
Mudam-se peças, formações e circunstâncias; no entanto permanecem os erros, a displicência e a falta de resultados.
Seria simplista colocar toda a culpa em Falcão. Ou na inoperância do ataque, na falta de articulação, na zaga CALAMITOSA ou até mesmo na má fase de jogadores-chave.
O mau funcionamento da máquina é decorrência de várias engrenagens que não funcionam, o que não significa que tudo está errado.
Verdade seja dita, os problemas são os mesmos que já foram diagnosticados e debatidos aqui exaustivamente desde o fim da Libertadores de 2010.
O Inter sofre uma entressafra. Um ciclo acabou e outro deve começar.
A tão necessária renovação, oportuna no final do ano, será feita agora, com o carro andando, no momento mais indesejado possível, a menos de 15 dias da estreia no campeonato mais difícil do mundo.
Ónus, é claro, do momento em que após um revés do tamanho do mundial, se opta por manter um treinador e jogadores visivelmente desgastados.
Renovação que já cobrou o seu preço, tendo em vista que não houve tempo para Falcão treinar nem fazer mudanças radicais antes de uma série de jogos decisivos, que como o próprio nome diz, decidiram. E o resultado, obviamente, não foi satisfatório.
2011 parece cada vez mais o novo 2007.
O ano não está perdido. Mas, sinceramente, muita coisa vai ter que mudar.
Renovar é muito complicado, ainda mais, quando a oxigenação é postergada até o último momento, àquele em que as desculpas não colam mais (estamos nos poupando pro mundial, o grupo está voltando de férias, o calor prejudicou, etc…).
2011 começou errado em 2010. Quando o ano realmente irá começar?
Ainda há tempo.